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Fevereiro
7th 2010
Sobre o sucesso. E a felicidade?

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12 anos mais ou menos. Um pouco mais, na verdade.

E o que eu ganhei? Um índice que me listou como 5º pior diretor da 5ª pior escola do Distrito Federal.

Contaram e calcularam, com precisão cirúrgica, que nossa nota era 2,05. Como um tiro certeiro abateram minhas esperanças, auto-estima, trabalho, dedicação e até a certeza com a qual decidi pela devolução de alguns profissionais que julguei incapazes.

Foram uns três dias de fossa e de reflexão em que os pensamentos mais recorrentes eram de antigos rivais, com escolas de nota três décimos mais alta se orgulhando de não aparecerem na lista. Que orgulho.

Com cinco dias, resolvi fazer as contas e o que eu constatei? Bom, a partir de dados da própria SEE, que não apareceram no Diário Oficial, portanto, não foram informações oficiais, nossa outra turma avaliada teria nota 5,48. Onde foi parar essa nota?

Bom, por essa nota eu seria um diretor entre os dez melhores do Distrito Federal. O 1º em Sobradinho, minha cidade. Engraçado. Essa nota não foi divulgada. O rótulo foi o pior que poderia.

Trabalho há 12 anos ali. Testemunhei coisas lindas e coisas horríveis. E sempre continuei. Essa nota é apenas mais uma. Injusta. A culpa será toda nossa, quando poucos sabem que a escola que formou aquela 4ª série teve de lidar com multisseriação, parede de madeirite e banheiros unissex.

O fato é que fomos os piores e também fomos os melhores. E só valeu o pior. Como uma manchete de jornal sangrenta, só se olhou o que era ruim.

Fazer, o quê. Meu sucesso só eu posso medir. A felicidade é uma cenoura pendurada na frente de um burro.

A despeito disso, dei umas mordidas. É gostosa. Quero mais.

Sou um idiota?

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Maio
17th 2009
O tempo é relativo

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04

Quem está do lado de fora, sem prestar atenção, perde todos os detalhes que muitas vezes são bastante significativos quando se está evitando morrer.

Vários destes detalhes Franco foi capaz de visualizar com clareza evidente. De início, verificou que o punho de Sérgio subindo ao ar era um bom indício de que: 1) Sérgio iria coçar o traseiro de algum anjo no céu ou 2) Sérgio iria coçar a cara de Franco com força desproporcional e não agradável.

Franco, apesar de todas as pragas genéticas que carregava, foi capaz de perceber que a primeira hipótese era improvável e que havia um erro na segunda. Ele teria pensado “coçar”? Na verdade era “socar”. Tudo isso ele pensou em menos de 10 centésimos de segundo, quando suas cordas vocais já se preparavam para articular uma série de contóides e vocóides (citadas anteriormente como “ele provavelmente ia responder”, no último capítulo).

Essa consciência repentina de um golpe que esfolaria aquilo que ele costumava usar como rosto, foi o bastante para evitar estupidez desnecessária e para voltar ao assunto inicial.

- Bom – disse Sérgio tranqüilizando a todos, inclusive eu.

Depois de suspirar mais uma vez, continuou:

– Elabore.

Fiz a minha parte e comecei a elaborar:

- O Franco, como eu ia dizendo, com todos os seus defeitos – eu falei de propósito, para desviar a atenção do assunto com o baixo custo da morte do Franco.

Mas, naquele momento qualquer transeunte poderia afirmar que um pássaro cantou baixinho e feliz no galho de um belo ipê de primavera. Eu posso afirmar com plena convicção que o belo piado foi do Franco e atestar que só não foi mais alto porque Sérgio estremeceu ao ouvir o som, o que bastou para Franco observar a tênue linha à sua frente que nenhum ser humano sensato atravessaria, exceto claro, se quisesse pesar bem menos após atravessá-la.

(Não recomendo fazer isso. Sério. Evite.)

E foi o que Franco fez, embora o conselho não fosse exatamente para ele. Mais uma vez, Franco conservou no mesmo lugar os ossos da cara e a memória de um tempo em que era feliz e não sabia.

Assim sendo, continuei:

- O Leonardo estava a fim da Sandrinha, e fabricou uma porta no meio da mata do Morro da Canastra. Eu descobri, chantageei ele, mandei ele mentir, ele disse que ia se mudar, se despediu dela, e quando ele voltou para a porta eu passei uma rasteira nele, metafisicamente, e ele atravessou a porta. A Sandrinha ainda é minha e está tudo bem. Vamos jogar bola?

O silêncio, desta vez, era de enterro. Visualizei o futuro desta vez, e nele estavam Franco, escrevendo minha lápide, Sérgio chutando o caixão do lado de fora e Sandra satisfeita, como um pinto no lixo, jogando terra em cima de mim. Eu estava no sonho e só conseguia ver uma de cada vez quando passavam no buraco da efígie. Ninguém tocava o hino. Só uma musiquinha fraca ao longe, provavelmente orquestrada por Leonardo e que parecia ser mais ou menos assim:

 

Cadê você camarada

Cadê tu

Quando eu te ver na estrada

Vou cumprimentar teu

 

- Você tem uma pequena noção do que acabou de contar? – indagou Sérgio.

- Eu tenho – meteu-se Franco – Ele mentiu. Não tem a menor lógica. Tá querendo desviar a atenção. Ô Jonas, sinceramente, eu esperava mais de você.

- É verdade – eu confirmei, e continuei, sem problemas - Vamos jogar bola?

- Calem a boca, os dois. Para começar, Jonas, não há o menor sentido em você ser amigo do Leonardo.

- E quem disse que eu era amigo dele?

- Ah, tá, então por favor explique como foi que você conseguiu descobrir a misteriosa porta – disse Franco naquele tom “buuuu, eu sei de coisas que você jamais sonharia”, que somente refletia o mais puro ceticismo e desdém.

Eu respondi, depois de me afastar mais um pouco dos dois para um distância minimamente segura para iniciar um corrida.

Afinal eu era um sacana, mas não um velocista.

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Maio
17th 2009
Quando citamos Leonardo pela primeira vez

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03

Bom, lá estava Franco, louco babando por uma mentira que eu em breve contaria. Eu não contaria mentiras, contudo, mas para o Franco, isso não vinha ao caso. Apenas ele contava verdades, e todo mundo sabia que isso era uma mentira.

Não preciso continuar para deixar claro o quanto tentar ponderar com ele sobre isso era inútil. Como praticamente tudo em relação ao Franco.

E porque estou sendo incisivo exatamente em relação a este paranóico detector de mentiras decaído? Porque Franco teve um papel decisivo no Morro da Canastra. E o comeu. Literalmente.

- Eu achei o mapa da mina.

Pronunciei esta frase e então o silêncio caiu como um bebê aprendendo a andar: tropeça, cai, olha pra todo mundo e, depois de um momento de ponderação, sei lá, ele chora. Eu falei, eles me olharam, olharam um para o outro, esperaram e depois desceram a lenha:

- Ah, vai te catar, porra!

- Começa logo, infeliz!

- Zé Ruela!

Eu me interpus na zona, coisa que faço muito pouco na vida, e disse:

- Já comecei. Eu achei o mapa da mina.

Talvez tenha sido impressão minha, mas visualizei a ascensão e queda do punho de Sérgio no auge da minha cara. De toda forma, comecei a ficar preocupado com a próxima frase que eu ia proferir. Então, após ponderar bem sobre a situação, a desvantagem numérica o valor do spread bancário eu proferi:

- Vão se catar então!

Não lembro se foi o Franco que segurou o Sérgio, ou se foi o Sérgio que derrubou o Franco tentando chegar até mim com sanha assassina, ou se foi um evento cósmico diverso que resultou na minha escapada, mas fato é que eu tô aqui. Vivim. Quando voltou a falar, o Sérgio estava meio atordoado, o que me fez crer que daquela vez pelo menos não vinha um murro.

- Ô, Jonas – falou Sérgio.

- Quié.

- Sério cara, que diabos tu fez para a Sandrinha querer te enforcar com tripas que ela quer arrancar de você?

- Eu achei o mapa da mina, desgraça. Lesou de vez é?

- Tá mentindo descaradamente.

Preciso dizer quem foi o autor desta frase? Não, claro.

- Vocês se lembram do Leonardo?

- Aquele cara todo engomadinho de colégio particular que tinha trezentas garotas ao redor pedindo para se desmanchar em pedaços para elas, como se fosse um chocolate humano? Aquele playboyzinho de olho azul e cabelo loiro inteligente desprezível que desequilibrava a balança da justiça sexual do bairro? Aquele traficante de influência que carregava todas as virgens e não-virgens do céu para seu harém moderno ocidental e..

- É, é! Calaboca, porra, Franco, porra! – exasperou-se Sérgio, e em seguida suspirou bem fundo, um suspiro no qual pareceu caber o destino da vida de Franco. Depois tornou a falar, mais calmo, pelo menos aparentemente:

- Tá, depois da antológica definição do Franco, que tem de tudo para desviar minha atenção para o que realmente estou querendo saber,- e a partir deste ponto Sérgio sagrou-se de pé, desafinado e vermelho - MAS NÃO VAI! – baixou novamente a voz e voltou ao tom normal - Eu pergunto: - e voltou a falar como um balão se esvaziando a esmo - O QUE É QUE TEM UMA COISA A VER COM A OUTRA, DROGA?

- Bom – eu continuei – O Leonardo, com todos esses defeitos aí que o Franco listou…

- O cara não tinha defeitos – interveio sagazmente o Franco – Acho que fui bem claro quanto a isso. Ele simplesmente era uma máquina de atrair mulher, um verdadeiro sultão com rastro de fêmea, o próprio Alexandre, O Grande da…

- DA CAIXA PREGO, INFERNO! – gritou Sérgio – Que diabos é isso aqui, Franco? O “fã clube do mau” do Leonardo?! Tenha a santa paciência, eu estou querendo chegar no fio da meada! Dá pra calar essa maldita boca ou vou ter que pregar uma foto 3×4 do Leonardo na sua cara a ferro quente?

Franco provavelmente ia responder.

Na verdade, com certeza ele ia responder.

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Abril
25th 2009
Rumores da Convenção, convenhamos…

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02

Como eu disse no começo, na guerra e no amor tudo se justifica. Meu caso com Sandra reunia ingredientes suficientes dos dois. Vou colocar da seguinte forma (e que ela não me veja fazendo isso): vivíamos uma guerra em nome do amor. Justificativas, portanto, é o que eu tinha de sobra. Meus amigos até concordavam, mas ainda tinham a dúvida maior:

- Mas por que diabos ela te odeia, Jonas?

- Por vários. Um deles é a Carta da Convenção dos Excluídos.

- Corta essa Jonas - interveio Sérgio. Aquilo é só um papel que você nunca explicou direito. Nenhuma mulher no mundo teria o ódio que a Sandra tem por você só por causa de um papelzinho amassado.

- Vem cá, Sérgio, por acaso você está insinuando que eu inventei essa história? É isso? Hein?

- A bem da verdade, não disse que você está mentindo. Só disse que você pode estar esquecendo de nos contar alguma coisa.

- Ou omitindo - completou Franco. Que é uma forma leve de mentira.

- Ah, claro. Aposto que o Sr. Franco possa nos dar mais mostras de vários tipos de mentira para uma melhor especificação do gênero de mentiroso em que me encaixo.

- Como queira, Jonas. Temos o blefe, que é uma mentira nos moldes do provérbio “os fins justificam os meios”. Muito usado nos jogos, o blefe visa ludibriar, manipular e embaralhar o ponto de vista adversário induzindo-o ao erro.

Tive a leve impressão de que naquele momento um buraco iria se abrir no continuum espaço-tempo e nos sugar a todos, mas isso não ocorreu. Teria valido a pena sabe. Eu teria morrido, o Sérgio teria sido cuspido para dentro do próprio umbigo, nossas famílias talvez até lamentassem… mas pelo menos o Franco teria sumido da face da Terra. Teria sido um preço barato. Mas o buraco no espaço-tempo não apareceu. Pelo menos não ali. Ele tinha hora pior para surgir.

Alheio a isso, o maldito hipócrita continuava:

- Temos também a omissão, que como dito antes, pode ser uma mentira na medida em que o testemunho é esquecido de propósito. Muito usado por nosso amigo Jonas, que, diga-se de passagem é muito…

- Chega! - eu gritei irritado - Que tipo de amigos são vocês? Eu peço uma ajudinha e de repente acabo julgado! Se não podem confiar em mim falem logo ou me deixem para sempre.

- E essa aí Franco? Como se encaixa? – perguntou Sérgio, já abrindo mais uma bala de menta. Não reparei na cara que ela tinha, eu ainda estava enjoado.

- Isso aí é o famoso melodrama da chantagem psicológica. Um recurso útil para evadir, que é uma sub-modalidade de omitir, proveniente de mentirosos experientes…

- Desembucha a verdade, Jonas. E corta essa de convenção, que a gente não engole.

- Mas, mas… Mas! - comecei a dizer procurando conforto e paciência deles. Não encontrei. Tá, tá, vamos aos fatos.

Então comecei a desfiar a história que levou Sandra a ter ainda mais raiva de mim.

E como vocês verão, não foi só ela que aprimorou o sentimento supracitado.


 

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Abril
25th 2009
Naquele dia ela estava linda

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01

Toda ação tem uma reação. E tem reação que dói pra cacete.

Imagine um objeto pontiagudo e em sua frente um estômago cheio de amor pra dar. Empurre esse objeto na boca do dito-cujo estômago e espere 0,00002 segundos. A última coisa que ele oferecerá será amor. O estômago vai gritar “socorro” em sua própria língua, e quando eu falo língua, eu quero dizer “língua”. Trocando em miúdos, quando um inofensivo guarda-sol (que será citado mais à frente como “inofensiva sombrinha”) encontra um estômago numa velocidade nada segura, dessa colisão resulta dor. E vômito. Entendeu a conexão com “língua”? Pegou o conceito?

Eu caí no chão. Fingi de morto.

Havia uma psicopata à minha frente, e era melhor que ela acreditasse sinceramente que eu morrera com um só golpe, antes que tentasse me mutilar, retalhar e jogar os restos para os urubus que olhavam todos eriçados de expectativa e, devo dizer, certeza.

- Já te disse Jonas! - gritava ela - Eu não te dei intimidade! Você é doido?

Eu, doido? Eu era uma vítima e eu era doido! Eu era doído, isso sim. (Sim, dói, mas tenho certeza que você também agüenta, se chegou até aqui).

Ela se virou, e Silvinha acompanhou. Meus amigos vieram em socorro. Um socorro bem tarde, se me permitem o comentário. E totalmente desnecessários foram os comentários que rodopiavam de um lado para o outro. Tinha sido um guardachuva ou um caminhão?

- Faz tempo que eu não via uma cacetada dessas. Ela te ama.

- Pelo menos não vai precisar dos óculos escuros.

- Mas vai precisar de uma muleta.

- Ou de uma cadeira de rodas.

- Ou sanidade e técnica.

- Será que dá para me ajudar a levantar e calarem a boca? - eu pedi, ainda com o gosto da bala de menta que tinha pulado pela minha boca, fazendo o caminho inverso no aparelho digestivo, algo até meio alegre, sim, porque lembro-me claramente da bala de menta sorrindo na volta e gritando um “iupi” bem feliz.

- Claro, amigo - Sérgio me puxou pelo braço. Ou melhor, puxou o meu braço e eu fui junto porque estava preso nele.

- Quando quiser um pedaço meu, Sérgio, é só pedir, não precisa arrancar. Eu entrego em 24 horas.

- Não obrigado. Quando eu quiser um pedaço seu, peço para a Sandra.

Franco se aproximou de mim e começou a me encarar. Eu sabia onde queria chegar.

- Que que é, Franco?

Ele desabou em risadas. Eu sabia que ele queria chegar nisso. Então adiantei as coisas. Tentei voltar a andar e voltei a cair.

- Melhor esperar o cortejo passar - declarei, tombei e desmaiei.

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Abril
25th 2009
Tem algum tempo que me vi abrindo portas

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E fechando algumas também. O Jonas, por exemplo, deu de cara com um monte delas, e muitas vezes entrou em algumas, na maioria das vezes não saiu de nenhuma. Mas, provavelmente, ele não faz a menor idéia disso.

O que me deixa aliviado.

O problema maior tem sido esconder o fato da Sandra. Isso ficou mais fácil depois que deixei o Jonas mais perto da vida dela. E da morte dele, infelizmente. Espero que ambos não se matem no processo, embora não possa fazer muito além de torcer.

Torçam comigo.

Senão eu torço sozinho.

 

Inté!

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Março
21st 2009
Gatos discutindo a relação

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Dezembro
22nd 2008
Vivendo no passado

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Se eu disse que alguém era burro, ou demagógico ou sedento por fama, esqueçam.

Esses caras aí é que são burros. Dementes mesmo. Leia.

Não exatamente tão BURROS, porque colocaram máscaras.

Mas ia ser bom mesmo se eles ficassem para trás com o ano 2008. Eles ficariam felizes e eu também.

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Dezembro
19th 2008
Poder Legis…. o quê mesmo?

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Temos o que merecemos. Isso é fato. Brasileiro já nasce com um karma lascado e para queimar boa parte dele, só tendo deputados, senadores e agregados como os que temos mesmo.

Esses caras, não sei não. Reclamam que o Governo quer fazer mais leis do que eles. E nisso estão certos, com uma ressalva: o Governo não somente quer, como FAZ mais leis. Medida Provisória, ou se preferir, MP (Muito Posso, Medida Permanente etc). É o que há.

Depois, coitados, reclamam que agora o Judiciário deu para ser legislador também. Aprova cassação de deputado, piso salarial de professor, muda regra de eleições… E nisso estão certos também.

Mas o engraçado é que o Governo e o Judiciário estão somente seguindo regras, que estão escritas nas leis que são criadas por quem mesmo? Os deputados! Os senadores! Ou pelo menos, eram…

Estamos num belo de um círculo vicioso que não contribui em nada para a melhoria das casas legislativas, que hoje estão mais para casas de tolerância, na acepção penal da palavra. Governo e Judiciário não podem criar leis, porque o Governo tem que executar leis. O Judiciário tem que julgar, e além disso, não possui mandato eletivo. Senão o poder legislativo não se fortalecerá nunca em benefício do povo, só em benefício de si mesmo, como aconteceu esses dias com a aprovação da lei que cria mais 7 mil e tantos cargos de vereador no Brasil.

Falando nisso aí, você acredita que a Câmara dos Deputados e o Senado bateram de frente e os presidentes das duas casas estão brigando por causa dessa lei e isso fez com que ela não fosse promulgada?

Adivinha quem é que eles chamaram para resolver a briga? O Supremo Tribunal Federal.

Realmente. Eles não estão mais dando conta sequer de terminar uma lei e chamam o STF para resolver. Assim fica difícil!

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Dezembro
19th 2008
A VEJA só perdoa quem compra e vende.

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Dia 20 de agosto esta “revista” publicou uma matéria sobre a qualidade da educação no país.

(Abrindo um parêntese: pesquisar a qualidade da educação é importante, porque há muito o que se discutir a respeito. Já a qualidade de VEJA é indiscutível: é uma porcaria.)

Como sempre, com um texto meia-boca, ou como talvez eles preferissem redigir, se este blog aqui fosse deles: uma redação de meia-pataca. Tudo bem, desde que cancelei minha assinatura há uns bons anos, que sei que não posso esperar muita coisa boa dali. Afinal de contas, Diogo Mainard, (é assim que escreve o nome do traste?) tem coluna lá e um tal de Ioschpe ou outra coisa parecida com nome de purgante já andou por lá escrevendo ironias e vendendo bastante para os iludidos dos assinantes.

A verdade é que tudo que saia da lógica do mercado, que é comprar e vender, a VEJA desce a lenha. Fascismo capitalista. Chamam os esquerdistas de burros, e até acho que alguns são mesmo, mas daí a fascista ser inteligente tem uma boa distância.

E nisso foram bater logo no Paulo Freire, com o trecho que dolorosamente transcrevo abaixo:

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.”

Se fosse comida, eu rechearia um pastel de vento com isso aí. Pena que é informação. Informação de baixo calão, mas informação. Encaremos então como uma vacina. Uma pequena dose da doença para evitarmos a doença. De preferência, para sempre.

Por fim, no post abaixo, a resposta da viúva do Paulo Freire, respondendo melhor do que ninguém a essas babaquices que a revista anda escrevendo e uma boa parte dos menos esclarecidos anda acreditando.

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