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Maio
17th 2009
Protegido: O tempo é relativo

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Maio
17th 2009
Protegido: Quando citamos Leonardo pela primeira vez

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Abril
25th 2009
Protegido: Rumores da Convenção, convenhamos…

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Abril
25th 2009
Naquele dia ela estava linda

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01

Toda ação tem uma reação. E tem reação que dói pra cacete.

Imagine um objeto pontiagudo e em sua frente um estômago cheio de amor pra dar. Empurre esse objeto na boca do dito-cujo estômago e espere 0,00002 segundos. A última coisa que ele oferecerá será amor. O estômago vai gritar “socorro” em sua própria língua, e quando eu falo língua, eu quero dizer “língua”. Trocando em miúdos, quando um inofensivo guarda-sol (que será citado mais à frente como “inofensiva sombrinha”) encontra um estômago numa velocidade nada segura, dessa colisão resulta dor. E vômito. Entendeu a conexão com “língua”? Pegou o conceito?

Eu caí no chão. Fingi de morto.

Havia uma psicopata à minha frente, e era melhor que ela acreditasse sinceramente que eu morrera com um só golpe, antes que tentasse me mutilar, retalhar e jogar os restos para os urubus que olhavam todos eriçados de expectativa e, devo dizer, certeza.

- Já te disse Jonas! - gritava ela - Eu não te dei intimidade! Você é doido?

Eu, doido? Eu era uma vítima e eu era doido! Eu era doído, isso sim. (Sim, dói, mas tenho certeza que você também agüenta, se chegou até aqui).

Ela se virou, e Silvinha acompanhou. Meus amigos vieram em socorro. Um socorro bem tarde, se me permitem o comentário. E totalmente desnecessários foram os comentários que rodopiavam de um lado para o outro. Tinha sido um guardachuva ou um caminhão?

- Faz tempo que eu não via uma cacetada dessas. Ela te ama.

- Pelo menos não vai precisar dos óculos escuros.

- Mas vai precisar de uma muleta.

- Ou de uma cadeira de rodas.

- Ou sanidade e técnica.

- Será que dá para me ajudar a levantar e calarem a boca? - eu pedi, ainda com o gosto da bala de menta que tinha pulado pela minha boca, fazendo o caminho inverso no aparelho digestivo, algo até meio alegre, sim, porque lembro-me claramente da bala de menta sorrindo na volta e gritando um “iupi” bem feliz.

- Claro, amigo - Sérgio me puxou pelo braço. Ou melhor, puxou o meu braço e eu fui junto porque estava preso nele.

- Quando quiser um pedaço meu, Sérgio, é só pedir, não precisa arrancar. Eu entrego em 24 horas.

- Não obrigado. Quando eu quiser um pedaço seu, peço para a Sandra.

Franco se aproximou de mim e começou a me encarar. Eu sabia onde queria chegar.

- Que que é, Franco?

Ele desabou em risadas. Eu sabia que ele queria chegar nisso. Então adiantei as coisas. Tentei voltar a andar e voltei a cair.

- Melhor esperar o cortejo passar - declarei, tombei e desmaiei.

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Abril
25th 2009
Tem algum tempo que me vi abrindo portas

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E fechando algumas também. O Jonas, por exemplo, deu de cara com um monte delas, e muitas vezes entrou em algumas, na maioria das vezes não saiu de nenhuma. Mas, provavelmente, ele não faz a menor idéia disso.

O que me deixa aliviado.

O problema maior tem sido esconder o fato da Sandra. Isso ficou mais fácil depois que deixei o Jonas mais perto da vida dela. E da morte dele, infelizmente. Espero que ambos não se matem no processo, embora não possa fazer muito além de torcer.

Torçam comigo.

Senão eu torço sozinho.

 

Inté!

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Março
21st 2009
Gatos discutindo a relação

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Dezembro
22nd 2008
Vivendo no passado

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Se eu disse que alguém era burro, ou demagógico ou sedento por fama, esqueçam.

Esses caras aí é que são burros. Dementes mesmo. Leia.

Não exatamente tão BURROS, porque colocaram máscaras.

Mas ia ser bom mesmo se eles ficassem para trás com o ano 2008. Eles ficariam felizes e eu também.

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Dezembro
19th 2008
Poder Legis…. o quê mesmo?

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Temos o que merecemos. Isso é fato. Brasileiro já nasce com um karma lascado e para queimar boa parte dele, só tendo deputados, senadores e agregados como os que temos mesmo.

Esses caras, não sei não. Reclamam que o Governo quer fazer mais leis do que eles. E nisso estão certos, com uma ressalva: o Governo não somente quer, como FAZ mais leis. Medida Provisória, ou se preferir, MP (Muito Posso, Medida Permanente etc). É o que há.

Depois, coitados, reclamam que agora o Judiciário deu para ser legislador também. Aprova cassação de deputado, piso salarial de professor, muda regra de eleições… E nisso estão certos também.

Mas o engraçado é que o Governo e o Judiciário estão somente seguindo regras, que estão escritas nas leis que são criadas por quem mesmo? Os deputados! Os senadores! Ou pelo menos, eram…

Estamos num belo de um círculo vicioso que não contribui em nada para a melhoria das casas legislativas, que hoje estão mais para casas de tolerância, na acepção penal da palavra. Governo e Judiciário não podem criar leis, porque o Governo tem que executar leis. O Judiciário tem que julgar, e além disso, não possui mandato eletivo. Senão o poder legislativo não se fortalecerá nunca em benefício do povo, só em benefício de si mesmo, como aconteceu esses dias com a aprovação da lei que cria mais 7 mil e tantos cargos de vereador no Brasil.

Falando nisso aí, você acredita que a Câmara dos Deputados e o Senado bateram de frente e os presidentes das duas casas estão brigando por causa dessa lei e isso fez com que ela não fosse promulgada?

Adivinha quem é que eles chamaram para resolver a briga? O Supremo Tribunal Federal.

Realmente. Eles não estão mais dando conta sequer de terminar uma lei e chamam o STF para resolver. Assim fica difícil!

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Dezembro
19th 2008
A VEJA só perdoa quem compra e vende.

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Dia 20 de agosto esta “revista” publicou uma matéria sobre a qualidade da educação no país.

(Abrindo um parêntese: pesquisar a qualidade da educação é importante, porque há muito o que se discutir a respeito. Já a qualidade de VEJA é indiscutível: é uma porcaria.)

Como sempre, com um texto meia-boca, ou como talvez eles preferissem redigir, se este blog aqui fosse deles: uma redação de meia-pataca. Tudo bem, desde que cancelei minha assinatura há uns bons anos, que sei que não posso esperar muita coisa boa dali. Afinal de contas, Diogo Mainard, (é assim que escreve o nome do traste?) tem coluna lá e um tal de Ioschpe ou outra coisa parecida com nome de purgante já andou por lá escrevendo ironias e vendendo bastante para os iludidos dos assinantes.

A verdade é que tudo que saia da lógica do mercado, que é comprar e vender, a VEJA desce a lenha. Fascismo capitalista. Chamam os esquerdistas de burros, e até acho que alguns são mesmo, mas daí a fascista ser inteligente tem uma boa distância.

E nisso foram bater logo no Paulo Freire, com o trecho que dolorosamente transcrevo abaixo:

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.”

Se fosse comida, eu rechearia um pastel de vento com isso aí. Pena que é informação. Informação de baixo calão, mas informação. Encaremos então como uma vacina. Uma pequena dose da doença para evitarmos a doença. De preferência, para sempre.

Por fim, no post abaixo, a resposta da viúva do Paulo Freire, respondendo melhor do que ninguém a essas babaquices que a revista anda escrevendo e uma boa parte dos menos esclarecidos anda acreditando.

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Dezembro
19th 2008
Carta de repúdio a VEJA – Por Ana Maria Araújo Freire

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Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE — e um dos maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008

Ana Maria Araújo Freire

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